As curas de Jacinta

Enquanto Lúcia foi rezar o terço com o povo, Jacinta aceitou ficar algum tempo em casa de uma família onde havia um homem que sofria de soluços há mais de três anos e por isso não podia descansar. Ao fim de três dias, souberam que o homem tinha sido curado dos soluços, bem como do excessivo nervosismo e fraqueza.


Jacinta rezou pelo filho de uma tia de Lúcia, chamada Vitória. O rapaz abandonou a casa dos pais, não se sabia do seu paradeiro, esbanjou tudo o que tinha roubado aos pais, tornou-se um vadio e acabou por ir preso.
Certa noite conseguiu escapar e andando ele entre montes e pinhais, perdido na escuridão da noite, o único recurso de que ainda dispunha era a oração.
Começou a rezar e pouco depois diz ter-lhe surgido Jacinta que pegou-o pela mão, levou-o até um certo sítio e depois deu-lhe instruções para alcançar um caminho conhecido. Quando chegou a casa de seus pais, pediu-lhes perdão.
Jacinta afirma não saber de nada e a única coisa que fez foi pedir muito a Nossa Senhora.

As curas de Francisco

Uma mulher pediu a Francisco a graça da reconciliação entre seu filho e seu pai, pois seu marido tinha expulsado o filho de casa. O Francisco respondeu-lhe que em breve iria para o Céu e depois pediria essa graça a Nossa Senhora.
Na tarde do dia em que Francisco morreu, o filho daquela mulher pediu perdão ao pai pela segunda vez, porque tinha sido negado da primeira vez, não se queria sujeitar às condições que seu pai impusera. Desta vez sujeitou-se a tudo o que o pai impôs e restabeleceu-se a paz naquele lar.

Inspirações, desejos e visões de Francisco, Jacinta e Lúcia

Lúcia começou a considerar a hipótese de que aquelas manifestações pudessem ser obra do demónio, perdeu o entusiasmo pela prática do sacrifício e ponderou se deveria dizer que tinha mentido e assim acabar com tudo. O Francisco e a Jacinta persuadiram-na para que não considerasse as aparições uma obra do demónio e para que não mentisse a respeito delas.


Lúcia sentia-se aleviada quando se isolava, até mesmo do Francisco e da Jacinta.
A ideia de que as aparições pudessem ser obra do demónio surgira novamente a Lúcia, começou a considerar que não deveria comparecer na aparição de 13 de julho e acabou por tomar essa decisão.


Na aparição do Anjo da Paz, em 1916, juntamente com o Francisco e a Jacinta, Lúcia refere que se sentia a presença de Deus de forma muito intensa e íntima, ao ponto de nem eles entre si conseguirem falar de tal fenómeno. Nenhum deles pensou em falar ou recomendar o segredo e não era fácil pronunciar sobre ele a menor palavra.
As palavras do Anjo da Paz gravaram-se em seus espíritos como uma luz que os fazia compreender quem era Deus, revelando-lhes como os amava e queria ser amado, o valor do sacrifício e como ele Lhe era agradável, assim como a prática de fazer sacrifícios pela conversão dos pecadores.


Jacinta relata o que eles viram em 13 de maio de 1917: “(...) vimos outro relâmpago e, dados alguns passos mais adiante, vimos, sobre uma carrasqueira, uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol, espargindo luz, mais clara e intensa que um copo de cristal, cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. Parámos surpreendidos pela aparição. Estávamos tão perto, que ficavamos dentro da luz que A cercava ou que Ela espargia, talvez a metro e meio de distância, mais ou menos”.


Após o diálogo com Nossa Senhora, Lúcia relata o que sucedeu: “Nossa Senhora abriu pela primeira vez as suas mãos e direcionou-lhes um feixe de luz tão intenso, como que reflexo que delas expedia, que penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos.”

Inspirações, desejos e visões de Jacinta e Lúcia

Em uma das ocasiões em que Lúcia foi interrogada pelo Dr. Manuel Nunes Formigão Júnior, este aconselhou-a a amar muito a Nosso Senhor por tantas graças e benefícios que lhe devem ter sido concedidos.
Lúcia sentiu-se inspirada por aquelas palavras e formulou esta jaculatória: “Meu Deus, eu Vos amo, em agradecimento pelas graças que me tendes concedido”. Depois comunicou a sua jaculatória ao Francisco e à Jacinta. A Jacinta apressiou-a muito e relembrava-os frequentemente, mesmo durante as brincadeiras, de dizerem a Nosso Senhor que O amavam”.


Jacinta e Lúcia viram e ouviram o Anjo da Paz.

Inspirações, desejos e visões de Francisco e Jacinta

O Francisco e a Jacinta escondiam-se na caverna de um rochedo, a Loca do Cabeço, para evitar as pessoas que os procuravam. A caverna resguardava-os da chuva e do sol quente. Foi nesse local que Jacinta ofereceu inúmeras orações e sacrifícios.


A mãe de Lúcia passou a marcar as suas pastagens para que soubesse sempre onde estava a filha no caso de ser necessário chamá-la.
Mais tarde decidiu vender o rebanho para não perder tempo a chamar Lúcia constantemente e ter de enviar uma das suas irmãs para a substituir.
Posteriormente, as mães dos três pastorinhos decidiram enviá-los para escola.


When they spoke of the Angel of Peace, they didn’t know what they felt. Jacinta said that she could no longer speak, sing or play, and had no strength for anything.
O Francisco confirmava os mesmos sintomas de Jacinta e acrescentou que isso não importava, o Anjo da Paz era mais bonito que tudo isso e deviam pensar nele.

Inspirações, desejos e visões de Lúcia

Quando estavam na prisão, a certa altura, juntaram os três numa sala. Lúcia consolou Jacinta e persuadiu-a a oferecer aquele sofrimento como um sacrifício pela conversão dos pecadores.


Lúcia consolava Jacinta para que não tivesse medo de morrer sozinha, pois Nossa Senhora viria em seu auxílio. Relembrá-la desse facto trazia-lhe algum alívio pois a mente de Jacinta focava-se principalmente no facto de morrer sozinha, como se se tivesse esquecido das palavras de Nossa Senhora e conseguisse apenas manter presente o facto de Lúcia não poder estar junto dela no momento de morrer.


Lúcia desejava poder fazer a sua primeira Comunhão, mas como ainda não tinha completado os sete anos parecia não ser possível. Ficou entristecida, soluçava e chorava por não poder fazer a primeira comunhão no dia seguinte. Entretanto, entrou na Igreja um sacerdote de fora que foi auxiliar o sacerdote daquela paróquia com as confissões.
Tratava-se do Padre Cruz que ao ver Lúcia naquele estado a consolou e junto do pároco local conseguiu reverter a situação. Deram a Lúcia a oportunidade de se confessar nesse dia e fazer a primeira Comunhão no dia seguinte mesmo ainda não tendo completado a idade mínima.
Lúcia ficou muito feliz, confessou-se naquela tarde ao Padre Cruz que a bendisse: “Minha filha, a sua alma é o templo do Espírito Santo. Guarde-a para sempre pura para que Ele possa continuar nela a Sua ação divina”.
Lúcia sentiu-se tocada pelas palavras do Padre Cruz e perguntou-lhe como deveria agir.


Na manhã do dia 13 de julho, Lúcia sentiu-se impelida por uma força estranha para ir ao local das aparições na Cova da Iria. Antes de se pôr ao caminho passou pela casa de Francisco e Jacinta e encontrou os dois no quarto. Jacinta estava junto à cama de joelhos a chorar.


No caminho para a casa do Pároco, Lúcia interroga sua mãe e chama-a à razão – o seu pedido é para ela mentir a respeito dos factos. Contudo, se ela viu as aparições, então é bem que diga aquilo que viu, ou seja, diga a verdade. Sua mãe deu-lhe razão e pediu-lhe que dissesse apenas a verdade.


Lúcia mencionou que ofereceu a Deus e ao Imaculado Coração de Maria as suas Memórias, as quais resultaram da sua pobre e humilde submissão aos que representam Deus na Terra e pediu-lhes que as fizessem frutificar para a glória e bem das almas.

O Anjo da Paz apareceu pela primeira vez a Lúcia e três companheiras suas em 1915. Quando rezavam o terço no exterior, Lúcia viu que sobre o arvoredo do vale pairava uma espécie de nuvem, mais branca que a neve e algo transparente, com forma humana. As suas companheiras perguntaram-lhe o que era aquilo e respondeu que não sabia. O fenómeno repetiu-se mais duas vezes em dias diferentes.
Nestas aparições, o Anjo da Paz nunca falou com ninguém, foi apenas visto.
Lúcia não ficou indiferente, permanecia em si uma impressão estranha que com o passar do tempo se ia desvanecendo.

Lúcia refere que as aparições do Anjo da Paz e de Nossa Senhora produziam neles, em certos aspetos, sentimentos idênticos e em outros aspetos sentimentos opostos.
Os sentimentos comuns às aparições do Anjo da Paz e de Nossa Senhora eram a alegria íntima, a paz e a felicidade.
Nas aparições de Nossa Senhora sentiam uma certa agilidade expansiva, um exultar de alegria e um certo entusiasmo comunicativo em vez do abatimento físico, do aniquilamento na Divina presença e da dificuldade em falar.


Lúcia pediu a cura de um doente a Nossa Senhora. Ela respondeu que se ele se convertesse, curar-se-ia durante o ano. Depois pediu-Lhe para os levar para o Céu. Nossa Senhora disse-lhe que levaria o Francisco e a Jacinta em breve, mas ela ficaria na Terra mais algum tempo.

Inspirações, desejos e visões de Francisco

Quando estavam na prisão, o Francisco consolou a Jacinta persuadindo-a para que não chorasse e oferecesse aquele sofrimento como um sacrifício a Jesus pela conversão dos pecadores.


O Francisco viu apenas o Anjo da Paz, mas não ouviu o que ele disse, enquanto que Jacinta e Lúcia viram e ouviram o Anjo da Paz.


Enquanto pastavam as ovelhas num sítio chamado Pedreira, Francisco afastou-se de Jacinta e Lúcia e entrou na concavidade de um penedo.
Passado um bocado ouviram-no a gritar. Viu uma criatura do inferno e estava muito assustado.
A Jacinta confrontou-o com esta pergunta: “Tu não queres nunca pensar no inferno, para não teres medo, e agora foste o primeiro a tê-lo!?”


Francisco desejava confessar-se para poder comungar mesmo antes de morrer.

Inspirações, desejos e visões de Jacinta

Jacinta exclamava que haveriam de fazer muitos sacrifícios pelas almas que estavam no inferno e bendizia a Nossa Senhora, bem como a sua promessa de os levar para o Céu.


Jacinta manifestou várias vezes que gostaria de ver o Santo Padre.


Jacinta pediu a Lúcia para dizer à Administração em Ourém, no caso de a quererem matar, que eles eram como ela e também queriam morrer.

Desejava que os seus pais a tivessem visitado quando esteve na prisão em Ourém.


A mãe de Francisco e Jacinta entregou a tarefa do pastoreo ao seu filho João. Assim deixou de ser necessário chamar constantemente os dois filhos mais novos e enviar um substituto sempre que aparecia alguém para falar com eles.
Foi uma decisão dolorosa para Jacinta porque não queria falar com todas as pessoas que a procuravam, preferia estar junto de Lúcia o dia inteiro.


Na escola, durante o recreio, Jacinta gostava de visitar o Santíssimo Sacramento, mas quando entrava na Igreja surgia-lhe uma quantidade de pessoas para a interrogar.

Jacinta desejava passar muito tempo sozinha com o Jesus escondido, mas nunca era possível porque as pessoas que os abordavam não deixavam que isso fosse possível. Desviavam-lhes a atenção para as suas necessidades, aflições e problemas pessoais. A Jacinta reagia com pena e por vezes exclamava: “Temos de rezar e oferecer sacrifícios a Nosso Senhor para que o converta e não vá para o inferno, coitadinho!”


A Jacinta tentava evitar as pessoas que os procuravam e fazia-o sempre que possível.

Quando o Padre Cruz visitou os pastorinhos para os interrogar, ensinou a Jacinta e a Lúcia uma ladainha de jaculatórias. Jacinta escolheu estas duas jaculatórias que repetia frequentemente: “Ó meu Jesus, eu Vos amo” e “Doce Coração de Maria, sede a minha salvação”.


Jacinta desejava visitar Francisco, manifestou esse interesse em várias ocasiões, mas nunca o foi visitar.


Jacinta gostava muito que Lúcia fosse com ela para o hospital, mas entendeu que isso não seria possível e acrescentou: “Se calhar, o hospital é uma casa muito escura, onde não se vê nada; e eu estou ali a sofrer sozinha! Mas não importa, sofro por amor de Nosso Senhor, para reparar o Imaculado Coração de Maria, pela conversão dos pecadores e pelo Santo Padre”.


Quando chegou a momento de Francisco partir para o Céu, Jacinta pediu-lhe para dizer a Nosso Senhor e Nossa Senhora que tinha muitas saudades deles e que sofreria tudo o que Eles quisessem pela conversão dos pecadores e pela reparação do Imaculado Coração de Maria.


Quando Jacinta esteve no hospital manifestou interesse em ver Lúcia.
Na próxima visita, apesar dos inúmeros sacrifícios, sua mãe fez-se acompanhar de Lúcia. Jacinta ficou muito alegre com a sua visita.


When Jacinta was about to go to the hospital in Lisbon, she asked Lúcia to pray a lot for her to console her, because she would not see her again, because she would not visit her and because she would die alone.

Jacinta deu a entender que antes de morrer gostaria de receber o Jesus escondido. Uma vez no Céu, era seu desejo amar muito a Jesus, o Imaculado Coração de Maria, pedir muito por Lúcia, pelos pecadores, pelo Santo Padre, pelos pais, pelos irmãos e por todas as pessoas que pediram a Nossa Senhora por sua intercessão.

Nossa Senhora apareceu a Jacinta quando já estava no hospital, disse-lhe o dia e a hora em que morreria.
Jacinta, em recado a Lúcia, recomendou-lhe que fosse muito boa.


A visão do inferno horrorizou-a de tal forma ao ponto de considerar que todas as penitências e mortificações não valiam quase nada para conseguir libertar algumas almas do inferno.

Jacinta estava motivada para a prática da mortificação e penitência apesar dos seus seis anos de idade.
A única origem conhecida dessa motivação, segundo Lúcia, é a de que Deus concedeu a Jacinta uma graça especial por meio do Imaculado Coração de Maria e ainda por ter adquirido conhecimentos sobre o inferno por meio da visão que teve durante uma das aparições.


Frequentemente, com ar pensativo, dizia:
“O inferno! O inferno! Que pena eu tenho das almas que vão para o inferno! E as pessoas lá vivas a arder como a lenha no fogo!” e depois rezava a oração que Nossa Senhora lhe tinha ensinado:

O my Jesus, forgive us, save us from the fire of hell; lead all souls to Heaven, especially those who are most in need.

Jacinta gostava que Nossa Senhora mostrasse o inferno aos pecadores para que deixassem de pecar e pediu a Lúcia que fizesse esse pedido a Nossa Senhora.
Várias vezes, Jacinta mencionou, após um período de reflexão, que iam muitas almas para o inferno, dizia:
“Tanta gente a cair no inferno, tanta gente no inferno”!


No hospital de Lisboa, Jacinta mencionou que a classe de pecados que mais ofendiam a Deus eram os pecados de carne.


Jacinta teve uma visão do Santo Padre:
“Eu vi o Santo Padre em uma casa muito grande, de joelhos, diante de uma mesa, com as mãos na cara, a chorar.
Fora da casa estava muita gente e uns atiravam-lhe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias”.

Jacinta teve uma segunda visão do Santo Padre:
“Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não tem nada para comer? E o Santo Padre em uma Igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com Ele?”

Jacinta teve uma visão da guerra: “Há-de morrer tanta gente! E vai quase toda para o inferno! Hão-de ser arrasadas muitas casas e mortos muitos padres”.

Jacinta pensava na guerra que havia de vir: “Nessa guerra que há-de vir, tanta gente há-de morrer e ir para o inferno. Que pena! Se deixassem de ofender a Deus, nem vinha a guerra, nem iam para o inferno!”


Enquanto esteve internada, Jacinta manifestou várias vezes que gostava de receber O Jesus escondido. Uma vez disse-o dessa forma e em outra ocasião, pouco tempo antes de ter ido para o hospital, que gostaria de receber O Jesus escondido na Igreja e acrescentou que se o Anjo da Paz fosse ao hospital levar-lhe a Sagrada Comunhão, ficaria muito contente.


On one occasion after Mass, Jacinta mentioned that she didn’t know what it was like, but she felt Our Lord inside her and understood what He was saying to her even though she couldn’t see or hear Him.

On another similar occasion, she mentioned that Our Lord was sad because we did not heed Our Lady’s request when she asked not to offend Him anymore, as He was already very offended, and no one paid attention, they continued committing the same sins.


Jacinta reprimanded anyone who, in her presence, said or did something displeasing to God. She would tell them: “Don’t do that, you offend God Our Lord; And He is already so offended!”
Other examples of Jacinta’s reaction were these:
“Don’t say that, it offends God Our Lord.”
“Don’t let your little children commit sins, they could go to hell.”
“Tell them not to do that, it’s a sin; that they offend God Our Lord and then they can condemn themselves.”


When the day came for Jacinta to leave for the Lisbon hospital, during the farewell, Lúcia felt heartbroken. Jacinta asked her to pray a lot for her until she went to Heaven, then she would pray a lot for her.
She also asked her not to tell the secret to anyone even if they tried to kill her and to love Jesus and the Immaculate Heart of Mary very much and make many sacrifices for sinners.

Os deveres de Lúcia

Lúcia sentia-se amargurada, desprezada e insultada pela própria família.
Sua mãe insistia cada vez mais para que fosse confessar que a aparição de maio era mentira. Todas esses sofrimentos eram sacrifícios que oferecia a Deus e a faziam sentir-se aleviada.
Nossa Senhora consolou-a e encorajou-a, acrescentando que nunca a deixaria e o Imaculado Coração de Maria seria o seu refúgio e o caminho que a conduziria a Deus.
A Jacinta também a consolou e explicou-lhe que aqueles sacrifícios eram concerteza os que tinham sido anunciados pelo Anjo da Paz e serviam para reparar a Deus e converter os pecadores.

Quando o pároco da freguesia soube dos acontecimentos, das aparições de maio e junho, mandou dizer à mãe de Lúcia que a levasse a sua casa.
A mãe de Lúcia aproveitou a ocasião para pressionar Lúcia a confessar que tinha mentido.
Depois do interrogatório, o Pároco não se sentiu convencido de que aquelas revelações tivessem vindo do Céu.
Considerou que poderiam ter sido enganados pelo demónio e esperava que o futuro lhes revelasse algo mais concreto.

A Lúcia sentia um desgosto tremendo sempre que uma das suas irmãs a chamava para falar com alguém que tinha vindo à sua procura.
Consolova-se oferecendo aquele desgosto como um sacrifício a Deus.

Quando a mãe de Lúcia lhe batia, justa ou injustamente, oferecia esse sofrimento como um sacrifício a Deus.

Lúcia recebeu a visita de um homem muito alto que lhe causava medo. Ele pediu-lhe que o acompanha-se ao local das aparições. Aí, os dois, rezaram um terço e ele pediu uma graça a Nossa Senhora.
Depois de o homem ter ido embora, Lúcia continuou assustada.
Mais tarde, na aparição de 13 de outubro, voltou a ver o tal homem.
Lúcia ficou surpreendida, a graça que ele tinha pedido concretizou-se e voltara para pedir uma benção.

A Lúcia era uma católica devota, assídua às suas obrigações religiosas.
Por vezes, a necessidade de uma confissão tornava-se um sacrifício, para além disso, preferia confessar-se a um sacerdote de fora.

Quando a mãe de Lúcia ficou gravemente doente, ao ponto de a julgarem uma agonizante, todos os seus filhos lhe foram pedir uma, suposta, última benção. Quando chegou a vez de Lúcia, sua mãe ficou muito transtornada ao ponto de suas irmãs a terem retirado do quarto e proibido de lá voltar, tal era o desgosto em que viam sua mãe de tal forma perturbada. Lúcia sentiu-se profundamente amargurada e ofereceu aquele sacrifício a Deus.
Quando as duas irmãs mais velhas de Lúcia viram sua mãe sem nenhumas melhorias, puseram Lúcia à prova: se ela de facto viu Nossa Senhora, então peça-Lhe a cura de sua mãe. Lúcia podia prometer o que ela bem entendesse.
Se a cura se concretizasse, elas pagariam a sua promessa (fariam o que Lúcia prometera) e acreditariam nas aparições de Nossa Senhora. Lúcia pediu a Nossa Senhora a cura de sua mãe.
Ao fim de três dias o seu pedido concretizou-se e elas pagaram a promessa de Lúcia.

Quando o pai de Lúcia morreu, ela ficou profundamente transtornada, a sua dor era tal que chegou a considerar que também estaria a morrer.
Ofereceu aquele sofrimento por amor a Deus, em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, pelo Santo Padre e pela conversão dos pecadores.

Lúcia considerou uma aurora boreal como sendo o sinal previamente anunciado de que a guerra ia começar. Começou a promover a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados e a Consagração da Rússia.

Jacinta relembrou Lúcia do seu dever de propagar a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Diz-lhe que quando o fizer não se deve esconder e deve dizer ainda a toda a gente que Deus nos concede as graças por meio do Imaculado Coração de Maria e é a quem as devem pedir.
O Sagrado Coração de Jesus quer que ao seu lado se venere o Imaculado Coração de Maria.

Jesus quer servir-se de Lúcia para que conheçam e amem a Nossa Senhora.

Os deveres de Jacinta

A Jacinta não conseguiu guardar segredo sobre o que lhe fora revelado da parte de Nossa Senhora durante as aparições. Na sua casa revelou que Nossa Senhora prometeu levá-los para o Céu.

Não deixava escapar nenhuma ocasião para fazer sacrifícios pela conversão dos pecadores.

A Jacinta parecia insaciável na prática do sacrifício.

Quando foi interrogada pela Sr. Pe. Manuel M. Ferreira em fim de maio de 1917 não disse mais do que duas ou três palavras.
Posteriormente em resposta a Lúcia disse que o fez porque prometera não dizer mais nada a ninguém.

Nossa Senhora ensinou-os a oferecer os seus sacrifícios a Jesus e sempre que faziam um sacrifício ou que passavam por uma prova de sofrimento, a Jacinta dizia: “Ó Jesus, é por Vosso amor e pela conversão dos pecadores”.

Depois de ter tomado conhecimento sobre o Santo Padre acrescentou à sua menção: “e pelo Santo Padre”, ou seja, “Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e pelo Santo Padre”.
No fim de cada terço rezava ainda três Avé Marias pelo Santo Padre.

Jacinta preferia morrer a ter de contar os segredos que não deveriam revelar.

O baile era um dos grandes divertimentos de Jacinta, por vezes até bailava sozinha, mas a partir daquele momento tornou-se seu desejo não bailar mais e ofereceu aquele sacrifício a Jesus. O seu desejo concretizou-se e acabaram-se os bailes.

O baile era um dos grandes divertimentos de Jacinta, por vezes até bailava sozinha, mas a partir daquele momento tornou-se seu desejo não bailar mais e ofereceu aquele sacrifício a Jesus. O seu desejo concretizou-se e acabaram-se os bailes.

Depois constatou-se que as circunstâncias da vida daquelas pessoas mudou para melhor: adotaram uma atitude mais razoável, obtiveram curas para as suas doenças e resolveram problemas familiares e profissionais. Algumas daquelas pessoas regressaram mais tarde e agradeceram as graças que lhes foram concedidas.

Para Jacinta era um sacrifício ficar sem a companhia de Lúcia.

Quando Jacinta esteve no hospital e Lúcia a visitou, respondeu-lhe que sofria muito, mas oferecia todo o seu sofrimento pelos pecadores e pela reparação do Imaculado Coração de Maria e bendizia a Nosso Senhor e a Nossa Senhora.

Jacinta voltou do hospital para casa dos pais com uma grande ferida aberta no peito cujos curativos diários lhe causavam sofrimento, mas não se lamentava. Causava-lhe mais transtorno as visitas e interrogatórios frequentes das pessoas que a procuravam.
Causava-lhe mais transtorno as visitas e interrogatórios frequentes das pessoas que a procuravam.

No dia da partida para o hospital de Lisboa sofreu muito, abraçou Lúcia e enquanto chorava disse-lhe em jeito de pergunta que nunca mais a veria, nem os irmãos, nem os pais, nem mais ninguém e finalmente morreria sozinha.

Jacinta desejava fazer o esforço de pensar porque quanto mais pensava, mais sofria, mas fazia-o por amor a Nosso Senhor e pelos pecadores.
Por vezes beijava um crucifixo e abraçando-o dizia: “Ó meu Jesus, eu Vos amo e quero sofrer muito por Vosso amor”. Outras vezes dizia: “Ó Jesus, agora podes converter muitos pecadores porque este sacrifício é muito grande”!

Afirmava que não precisava de nada, quando tinha sede preferia não beber, oferecendo esse sacrifício a Jesus pelos pecados, não se lamentava de seus sofrimentos e não queria que ninguém soubesse que sofria para não se afligirem.

Um dos sacrifícios de Jacinta era o de não evitar as pessoas que os procuravam, deixava que a abordassem, mas mantinha-se em silêncio quando lhe perguntavam algo que não gostaria de responder.

Jacinta passava longos períodos de tempo a rezar a jaculatória: “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem” e por vezes chamava pelo Francisco ou pela Lúcia e perguntava-lhes se estavam a rezar com ela e relembrava-os que era necessário rezar muito para livrar as almas do inferno e finalizava exclamando que iam muitíssimas almas para o inferno.

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