Inspirações, desejos e visões de Francisco, Jacinta e Lúcia

Lúcia começou a considerar a hipótese de que aquelas manifestações pudessem ser obra do demónio, perdeu o entusiasmo pela prática do sacrifício e ponderou se deveria dizer que tinha mentido e assim acabar com tudo. O Francisco e a Jacinta persuadiram-na para que não considerasse as aparições uma obra do demónio e para que não mentisse a respeito delas.


Lúcia sentia-se aleviada quando se isolava, até mesmo do Francisco e da Jacinta.
A ideia de que as aparições pudessem ser obra do demónio surgira novamente a Lúcia, começou a considerar que não deveria comparecer na aparição de 13 de julho e acabou por tomar essa decisão.


Na aparição do Anjo da Paz, em 1916, juntamente com o Francisco e a Jacinta, Lúcia refere que se sentia a presença de Deus de forma muito intensa e íntima, ao ponto de nem eles entre si conseguirem falar de tal fenómeno. Nenhum deles pensou em falar ou recomendar o segredo e não era fácil pronunciar sobre ele a menor palavra.
As palavras do Anjo da Paz gravaram-se em seus espíritos como uma luz que os fazia compreender quem era Deus, revelando-lhes como os amava e queria ser amado, o valor do sacrifício e como ele Lhe era agradável, assim como a prática de fazer sacrifícios pela conversão dos pecadores.


Jacinta relata o que eles viram em 13 de maio de 1917: “(...) vimos outro relâmpago e, dados alguns passos mais adiante, vimos, sobre uma carrasqueira, uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol, espargindo luz, mais clara e intensa que um copo de cristal, cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. Parámos surpreendidos pela aparição. Estávamos tão perto, que ficavamos dentro da luz que A cercava ou que Ela espargia, talvez a metro e meio de distância, mais ou menos”.


Após o diálogo com Nossa Senhora, Lúcia relata o que sucedeu: “Nossa Senhora abriu pela primeira vez as suas mãos e direcionou-lhes um feixe de luz tão intenso, como que reflexo que delas expedia, que penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos.”

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