Quando estavam na prisão, a certa altura, juntaram os três numa sala. Lúcia consolou Jacinta e persuadiu-a a oferecer aquele sofrimento como um sacrifício pela conversão dos pecadores.
Lúcia consolava Jacinta para que não tivesse medo de morrer sozinha, pois Nossa Senhora viria em seu auxílio. Relembrá-la desse facto trazia-lhe algum alívio pois a mente de Jacinta focava-se principalmente no facto de morrer sozinha, como se se tivesse esquecido das palavras de Nossa Senhora e conseguisse apenas manter presente o facto de Lúcia não poder estar junto dela no momento de morrer.
Lúcia desejava poder fazer a sua primeira Comunhão, mas como ainda não tinha completado os sete anos parecia não ser possível. Ficou entristecida, soluçava e chorava por não poder fazer a primeira comunhão no dia seguinte. Entretanto, entrou na Igreja um sacerdote de fora que foi auxiliar o sacerdote daquela paróquia com as confissões.
Tratava-se do Padre Cruz que ao ver Lúcia naquele estado a consolou e junto do pároco local conseguiu reverter a situação. Deram a Lúcia a oportunidade de se confessar nesse dia e fazer a primeira Comunhão no dia seguinte mesmo ainda não tendo completado a idade mínima.
Lúcia ficou muito feliz, confessou-se naquela tarde ao Padre Cruz que a bendisse: “Minha filha, a sua alma é o templo do Espírito Santo. Guarde-a para sempre pura para que Ele possa continuar nela a Sua ação divina”.
Lúcia sentiu-se tocada pelas palavras do Padre Cruz e perguntou-lhe como deveria agir.
Na manhã do dia 13 de julho, Lúcia sentiu-se impelida por uma força estranha para ir ao local das aparições na Cova da Iria. Antes de se pôr ao caminho passou pela casa de Francisco e Jacinta e encontrou os dois no quarto. Jacinta estava junto à cama de joelhos a chorar.
No caminho para a casa do Pároco, Lúcia interroga sua mãe e chama-a à razão – o seu pedido é para ela mentir a respeito dos factos. Contudo, se ela viu as aparições, então é bem que diga aquilo que viu, ou seja, diga a verdade. Sua mãe deu-lhe razão e pediu-lhe que dissesse apenas a verdade.
Lúcia mencionou que ofereceu a Deus e ao Imaculado Coração de Maria as suas Memórias, as quais resultaram da sua pobre e humilde submissão aos que representam Deus na Terra e pediu-lhes que as fizessem frutificar para a glória e bem das almas.
O Anjo da Paz apareceu pela primeira vez a Lúcia e três companheiras suas em 1915. Quando rezavam o terço no exterior, Lúcia viu que sobre o arvoredo do vale pairava uma espécie de nuvem, mais branca que a neve e algo transparente, com forma humana. As suas companheiras perguntaram-lhe o que era aquilo e respondeu que não sabia. O fenómeno repetiu-se mais duas vezes em dias diferentes.
Nestas aparições, o Anjo da Paz nunca falou com ninguém, foi apenas visto.
Lúcia não ficou indiferente, permanecia em si uma impressão estranha que com o passar do tempo se ia desvanecendo.
Lúcia refere que as aparições do Anjo da Paz e de Nossa Senhora produziam neles, em certos aspetos, sentimentos idênticos e em outros aspetos sentimentos opostos.
Os sentimentos comuns às aparições do Anjo da Paz e de Nossa Senhora eram a alegria íntima, a paz e a felicidade.
Nas aparições de Nossa Senhora sentiam uma certa agilidade expansiva, um exultar de alegria e um certo entusiasmo comunicativo em vez do abatimento físico, do aniquilamento na Divina presença e da dificuldade em falar.
Lúcia pediu a cura de um doente a Nossa Senhora. Ela respondeu que se ele se convertesse, curar-se-ia durante o ano. Depois pediu-Lhe para os levar para o Céu. Nossa Senhora disse-lhe que levaria o Francisco e a Jacinta em breve, mas ela ficaria na Terra mais algum tempo.
