Jacinta persuadiu Francisco e Lúcia para o facto de terem de rezar o terço e fazer sacrifícios pela conversão dos pecadores como Nossa Senhora lhes pediu.

O Francisco teve a ideia de darem as suas merendas às ovelhas e passarem fome. Aceitaram e passaram o dia em jejum.

Da iniciativa da Jacinta deram as suas merendas a umas crianças que andavam a pedir de porta em porta. Esse ato de caridade tornou-se frequente e em alternativa comiam pinhões, raízes de campainhas, amoras, cogumelos, umas coisas que colhiam na raiz dos pinheiros e fruta das propriedades de seus pais.

Nossa Senhora pediu-lhes para não revelarem os seus sacrifícios. Lúcia afirmava que dessa forma não os questionariam sobre que tipo de sacrifícios eles faziam.

A mãe de Lúcia sentia-se afligida com o progresso dos acontecimentos, por isso, pediu a Lúcia para dizer ao Sr. Prior que tinha mentido a respeito das aparições e deveria pedir-lhe perdão.
Lúcia contou a Jacinta o que a sua mãe pedira-lhe. Enquanto Lúcia foi a casa do Sr. Prior falar com ele, a Jacinta e o Francisco ficaram a rezar por Lúcia. Mais tarde encontraram-se em casa de Lúcia que afirmou ter contado ao Sr. Prior o que tinha dito a Jacinta antes de sair de casa.
Jacinta ficou feliz com a decisão, encorajou Lúcia para que não tivesse medo e bendisse a Nossa Senhora.

Enquanto os três pastoreavam as ovelhas, num dia sereno, levantou-se um vento forte e viram encaminhar-se sobre o olival uma figura branca e transparente que lhes disse: “Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo”.

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

O Anjo da Paz pediu-lhes para fazerem aquela oração e Lúcia persuadi-os para guardarem segredo.

Passado bastante tempo surge novamente o Anjo da Paz às três crianças, desta vez, no poço do Arneiro. Recomendou-lhes que orassem muito e que oferecessem constantemente orações e sacrifícios ao Altíssimo.
Lúcia pergunta ao Anjo como se deveriam sacrificar e Ele respondeu que deviam fazer tudo o que estivesse ao seu alcance: “De tudo que puderdes, oferecei a Deus sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”.

Passou novamente bastante tempo até que o Anjo da Paz surgiu novamente. Desta vez tinha um Cálice na mão esquerda sobre o qual estava suspensa uma Hóstia da qual caiam gotas de sangue para dentro do Cálice. O Anjo da Paz deixou o Cálice suspenso no ar, ajoelhou-se junto deles e repetiram três vezes a oração seguinte.

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Depois levantou-se, pegou no Cálice e na Hóstia. Deu a Hóstia a tomar a Lúcia e o Cálice ao Francisco e à Jacinta e disse em simultâneo: “Tomai e bebei o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus”.

Lúcia retirou-se para um lugar solitário e ofereceu o seu sofrimento a Deus. Por vezes, a Jacinta e o Francisco encontravam Lúcia na sua amargura e os três ofereciam os seus sofrimentos a Deus.

Após Nossa Senhora ter-lhes dito que iam para o Céu, perguntou-lhes: – “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores”?
– “Sim, queremos”. – Assim responderam os três, afirmativamente.
– “Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto”.
Nossa Senhora pediu-lhes para guardarem segredo sobre aquela conversa.

Na aparição de 13 de julho, Nossa Senhora revelou-lhes o segredo e para reanimar o fervor decaído de Lúcia, disse-lhe: “Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei a Jesus, muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.

A Lúcia encontrou um pedaço de corda grossa e áspera caída num caminho, atou-a a um braço e verificou que a corda magoava, então sugeriu que a usassem como um instrumento de penitência e ofereceu aquele sacrifício a Deus. O Francisco e a Jacinta aderiram também àquela prática penitencial, dividiram a corda em três partes e usavam-na atada à cintura. A Jacinta não desistia de usar a corda nem mesmo quando lhe causava mais dor e a persuadiam a retirá-la, reagia assim: “Não! Quero oferecer este sacrifício a Nosso Senhor, em reparação e pela conversão dos pecadores”.

Enquanto a Jacinta apanhava ervas tocou em urtigas que a picaram. Disse aos outros dois que aquelas ervas também poderiam servir para se sacrificarem. Desde então, de vez em quando, apanhavam urtigas, batiam com elas na pele das pernas e ofereciam aquele sacrifício.

Desde a última aparição, a de 13 de outubro, que os videntes eram visitados quase diariamente com pedidos de proteção a Nossa Senhora, orações conjuntas e perguntas. Por vezes, insistiam e Lúcia precisava de fazer um esforço extraordinário para os atender e oferecia o sacrifício a Deus: “É por vosso amor, meu Deus, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, pela conversão dos pecadores e pelo Santo Padre”.

Os três fizeram o sacrifício de passar sede. A Jacinta e a Lúcia faziam-no pela ocasião de uma novena ou durante um mês inteiro. Uma vez, disse Jacinta: “Nosso Senhor deve estar contente com os nossos sacrifícios, porque eu tenho tanta, tanta sede! Mas não quero beber; quero sofrer por Seu amor”.

Quando os três se prostravam para rezar a oração do Anjo da Paz, o Francisco era o primeiro que se cansava da posição, mas permanecia de joelhos ou sentado, rezando também, até que Jacinta e Lúcia terminassem.

Na aparição de junho, Nossa Senhora pediu-lhes que voltassem àquele local no dia 13 do mês seguinte, que rezassem o terço todos os dias e aprendessem a ler.

Na aparição de julho, Nossa Senhora pediu-lhes que fossem ali no dia 13 do mês seguinte, continuassem a rezar o terço todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz no mundo e o fim da guerra porque só Ela lhes poderia valer.
Nossa Senhora pediu-lhes: “Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.

Nossa Senhora pediu-lhes para irem à Cova da Iria no dia 13 de cada mês e para continuarem a rezar o terço todos os dias, no último mês fará um milagre para que todos acreditem.
Nossa Senhora pediu-lhes ainda para fazerem dois andores, um deveria levá-lo Lúcia, Jacinta e outras duas meninas, o outro andor deveria levá-lo o Francisco e outros três meninos.
Mesmo antes de partir acrescentou: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios por os pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”.

Na aparição de setembro, assim que Nossa Senhora surgiu sobre a azinheira, disse-lhes: “Continuem a rezar o terço todos os dias, para alcançar o fim da guerra.

Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus para abençoarem o Mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia”.

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